Sobre o Grupo de pesquisa em história das desigualdades intelectuais
Fundado em 2018 como um Ateliê de Estudos de Retórica (AER), este grupo de pesquisa investiga fenômenos intelectuais das épocas moderna e contemporânea. Ao objetivo inicial de fazer uma história dos discursos, dedicada a explicar como determinados enunciados ganham forma e autoridade nas sociedades por onde circulam, se somou nos últimos anos o enfoque nas condições assimétricas que estruturam a produção, a circulação e a legitimação das atividades intelectuais. Nossa proposta se concentra nas relações que as condições de aparecimento das ideias, indissociáveis das práticas que lhes conferem sentido e dos suportes que as materializam, mantêm com outras temporalidades e contextos, distintos daqueles em que foram originalmente produzidas. Uma história intelectual concebida nesses termos só pode ser plural, na medida em que privilegia as mediações, no tempo e no espaço, que sustentam o interesse por seus objetos ou explicam as razões de seu esgotamento; e reflexiva, na medida em que pressupõe a crítica permanente de seus recursos teórico-metodológicos, eles mesmos provenientes de correlações de força historicamente constituídas. Por isso, queremos explorar o território do modus operandi das atividades intelectuais com atenção aos diferentes planos de sua existência no mundo, sondados a partir das circunstâncias ontológicas, epistemológicas e sócio-históricas que dão forma às suas trajetórias. É precisamente a assimetria da inscrição das práticas intelectuais – entre os modos como são percebidas hoje e seus modos de existência no passado – o que fundamenta o projeto de fazer uma história das desigualdades intelectuais.